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quinta-feira, 18 de julho de 2013

terça-feira, 2 de julho de 2013

Futuro!




Passada a euforia e a angustia das despedidas no trabalho, chega agora uma leve tristeza, o treino do desapego.
Eu sei que muitas das despedidas ainda estão para acontecer, pois terei o momento para dizer adeus a minha cidade, a minha família, aos meus outros amigos (que não são do Trabalho) e assim fazer como a mulher de Ló que deve ir sem olhar para traz, mas...
Já sinto, ou sinto agora muitas coisas que travei durante o processo de desligamento daquele lugar magico que por muitas vezes foi o meu lar.


É diferente de quando estamos de férias, apesar do tempo estar propicio para sentir como se estivesse de férias, mas ao pensar que não mais verei diariamente o rostinho das crianças e incluo aqui os adultos que mantém sua criança viva, me faz sim sofrer.
Tenho muita ânsia da vida nova, dos novos desafios, da família que irei formar, mas tenho receio que meu trilhar não seja tão significativo e representativo como foi até então.


O futuro é algo que não temos como prever, e sei que parte disso é o fruto do encanto que nos fascina e nos leva a continuar nosso trajeto, nossa missão!
Nesse momento, peço muita força! Quero me sentir abraçada diariamente e constantemente pela energia universal e coloco- me a inteira disposição do universo, de Deus ou de como convenha a cada um nomear.
Bauru, 02 de julho de 2013. (23h18 min)

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Amizade

No dicionário entendemos que amizade vem do latim, vulgar amicitas, -atis. Significa: 1. Afeição recíproca entre dois ou mais entes. 2. Boas relações. 3. Eliane Cristina Barbosa (rsrsr)
Afeição reciproca! Realmente foi esse o inicio da nossa amizade né? Mas claro que foi para muito além disso... Dentre os recheios de nossa amizade estava a cumplicidade, o respeito, a sinceridade e o amor! Para mim passou a ser uma irmã!
A amizade foi se fortalecendo e as partilhas aumentando, a cada dia eu sabia mais de ti e a cada você sabia mais de mim!!! Muitas coisas em comum: Dança, Teatro, CEISA, Jornal, Amigos, Colegas, Família... Vivemos o real e sincero sentido da amizade!
Não é fácil hoje pensar amiga como será viver cada um desses espaços sem ter você por lá fisicamente... (digo fisicamente porque sei que energéticamente estaremos sempre juntas, pois a verdadeira amizade jamais se acaba e sei que se tem algo que tanto você como eu sabemos é valorizar os laços de amizade!) Me pego vendo os albuns de fotos de orkut, face... 2008, 2009, 2010, 2011, 2012... Quantas vivências (E só um detalhe para sair desse clima tenso, quanta cor de cabelo afff).
Li ... nem que eu fique a noite toda conseguirei descrever o quanto você é importante em minha vida e o quando fará falta a nossa convivência diária.... Mas quero que saiba que o meu amor por ti, me impede de ser egoista e lembrar o quanto esse voo será importante para você: "Não se deve engatinhar, quando se tem impulso para voar"...sempre farei o possível para estarmos de alguma forma presentes na vida uma da outra. Você me ensinou muito amiga e já te falei muitas vezes... Você me deu inumeros repertórios de delicadeza, de cuidados, de dedicação... Com você entendi o quanto é bom aprender observando... Na sua simplicidade elegante de ser me fez encontrar sentido para muitas coisas..
Isso é o que consigo lhe dizer hoje!!! Obrigada por existir! Obrigada por ser tão importante para mim! Obrigada por fazer tanto sentido! .....

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Completude

Como é bom ter alguém digno de nossos pensamentos e suspiros.
Como é bom ter alguém em nossa mente ao amanhecer e ao anoitecer, no fim da noite quando fazemos nossas orações e agradecimentos, poder agradecer a compania sincera de alguém que nos faz FELIZ.

Felicidade em

estar junto, mesmo que adormecidos um ao lado do outro.
Apesar de não gostar muito de Paulo Coelho faço das palavras dele as minhas:
"... Os encontros mais importamtes ja foram combinados pelas almas antes mesmo que os corpos se vejam..."
É exatamente isso que sinto...Completude!

Tenho saudades de Ti! Saudades do que vive e saudades do que ainda não vivi!
Loucura? Talvez!
Incoerência? Não! Pois sigo apenas o que meu coração sente, faço o que meu corpo pede, o que naturalmente se transforma em gestos, em atos, em declarações... Como uma dança da alma.
Me declaro, como nunca, porque sinto o que antes talvez já tenha sentido fragmentadamente, mais jamais em tamanha "inteireza", em um mesmo momento, em um mesmo espaço e por uma mesma pessoa.

Companherismo sem julgamento, com cuidado, com zelo, com amor, com doçura e com muita delicadeza.
Declaro minha felicidade momentanêa. Torcendo para que ela "Seja Eterna Enquanto Dure" e pedindo ao Universo que se esse for nosso plano de desenvolvimento "Que Dure para sempre".
Aprendi de tanto caminhar sozinha que sozinha se vai mais rápido, mas que junto e com amor se vai mais longe e assim, LONGE, contigo na compania do amor e do respeito, QUERO IR.

Sempre fiz de meus fracassos ensamentos e aprendizagens. Hoje faço da minha felicidade palavras, e dedico a ti, já de antemão agradecendo as cores que jogastes atenciosamente eu meu jardim.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Do Filme "Irmãos de Sangue"





– “Não tens sabido o que tu és, tens cochilado sobre ti mesmo toda tua vida, Tuas pálpebras têm ficado como que fechadas a maior parte do tempo, O que tens feito já retorna em zombarias, As zombarias não são tu, Sob elas e dentro delas vejo que tu espreitas”.
– De quem é isso?
– Walt Whitman.
– Eu acho que nunca imaginei isso ser recitado pra mim por uma moça segurando um bagre de 20 quilos…
– É exatamente como ele deve ser recitado. Ele escreveu sem rima, nem métrica. Versos livres… Aquilo que ele sentia no ritmo próprio e complexo. Paixão pura desenvergonhada. Sem restrições definidas, entende?
– Olha, me perdoa. Mas eu tenho algumas divergências…
– Por que?
– Porque houve quem ousasse sugerir que até a poesia tem suas regras.
– Ou faz suas próprias…
– Pois é… É aí a parte em que não endosso…
– Por que?
– Porque se todos sairmos criando nossas próprias regras, como você poderia saber onde está a verdade? Não há nada no que se basear.
– “Uma noite, rompi minha pele de cigarra, devorei suas folhas sem conhecer venenos nem leis da nutrição, Nessa cegueira laval, uma fome finalmente verdadeira”.
– Uau… E de quem é essa?
– É de minha autoria. Talvez a verdade esteja na nossa frente e vamos ao encontro dela sem ao menos saber que está lá. Quando você achar que está tudo resolvido, o que restará? Absolutamente nada. Então eu me resolvi assim, não obedecendo à todas as regras. Pescando bagres com as mãos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

"Projeto Gente Legal" - " Era mais uma vez outra vez"

Fonte: www.grupoato.com.br



"Projeto Gente Legal"

Em 2007, a OAB SP - Bauru e o Grupo Ato iniciavam uma importante parceria com intuito de realizar temporadas teatrais no auditório da entidade, para promover cultura, formação de platéia e entretenimento para o público de Bauru e Região.
Paralelo a está ação foi criado o Projeto Gente Legal, idealizado por Elisabete Benetti atriz do Grupo Ato, que tem como objetivo, estender a arte para além do palco e integrá-la ao cotidiano de crianças, adolescentes e educadores, na tentativa de ampliar a maneira de entender e perceber o mundo.

Inicialmente com as crianças do “Projeto Girassol”, do núcleo Fortunato Rocha Lima em Bauru. As crianças receberam acompanhamento semanal, que incluía a discussão dos espetáculos, atividades de criação, improvisação e jogos teatrais. “A ida ao teatro todo domingo e o estímulo semanal dos encontros proporcionaram um rico momento de improvisação coletiva”.

O resultado, desta primeira etapa, foi o espetáculo, “Sonho da Mata”, escrito por uma das crianças e desenvolvido pelas outras. Ao todo foram 50, com idade entre 8 e 10 anos. A iniciativa proporcionou uma temporada no Auditório da OAB SP - Bauru, aberta ao publico.

Em 2009, o Gente Legal expandiu para 14 instituições.
Com as apresentações todos os domingos do musical “A Canção de Assis”, os inscritos no projeto perceberam o objetivo maior do espetáculo, “não estamos sós”, acompanhavam todo o processo de montagem do espetáculo e participavam de um bate-papo com o elenco, após as sessões, além de oficinas de integração de grupo, jogos dramáticos, expressão corporal, preparação vocal, iluminação teatral e criação de figurino. Todas as atividades com o intuito de auxiliar os educadores com seus grupos, um momento de descobertas.

O resultado desta segunda etapa foi em forma de obra de arte: os 14 grupos representantes de suas instituições se apresentaram no Auditório da OAB, com entrada franca para toda comunidade de Bauru e região.

Terceira etapa, em 2010, com a montagem do espetáculo “Alice no País das Maravilhas”, fundamentamos ainda mais o projeto. Com a apresentação da peça todos os domingos, durante 5 meses, mais de 800 crianças entre elas jovens e educadores, compartilharam suas pesquisas com o Grupo Ato. Um verdadeiro celeiro de “Alices”. Quem somos nós?

Nesta quarta etapa, a proposta de trabalho prioriza maior comprometimento dos educadores em aprofundar as ações até então realizadas.

O espetáculo “Era mais uma vez outra vez” estreia em 2 de outubro, e será o eixo central das ações artísticas e educativas. Propõe aos grupos que se permitam, façam a “sua” maneira. No primeiro semestre o trabalho com os educadores se desenvolve através de dois encontros mensais: worshops, de conteúdo artístico e técnico para subsidiar as ações, e encontros de educadores com caráter formativo e reflexivo.

domingo, 25 de setembro de 2011

Oração á Gaia


“Abençoado seja o Filho da Luz

que conhece sua Mãe Terra,

pois é ela a doadora da vida.
Saibas que a sua Mãe Terra está em ti e tu estás Nela.
Foi Ela quem te gerou e que te deu a vida
E te deu este corpo que um dia tu lhe devolvas.

Saibas que o sangue que corre nas tuas veias
Nasceu do sangue da tua Mãe Terra,
o sangue Dela cai das nuvens, jorra do ventre Dela
borbulha nos riachos das montanhas
flui abundantemente nos rios das planícies.

Saibas que o ar que respiras nasce da respiração da tua Mãe Terra,
o alento Dela é o azul celeste das alturas do céu
e os sussurros das folhas da floresta.

Saibas que a dureza dos teus ossos foi criada dos ossos de tua Mãe Terra.
Saibas que a maciez da tua carne nasceu da carne de tua Mãe Terra.
A luz dos teus olhos, o alcance dos teus ouvidos
nasceram das cores e dos sons da tua Mãe Terra
que te rodeiam feito às ondas do mar cercando o peixinho.

Como o ar tremelicante sustenta o pássaro
em verdade te digo, tu és um com tua Mãe Terra
ela está em ti e tu estás Nela.
Dela tu nasceste, Nela tu vives e para Ela voltará novamente.

Segue, portanto, as Suas leis
pois teu alento é o alento Dela.
Teu sangue o sangue Dela.
Teus ossos os ossos Dela.
Tua carne a carne Dela.
Teus olhos e teus ouvidos são Dela também.

Aquele que encontra a paz na sua Mãe Terra
não morrerá jamais,
conhece esta paz na tua mente
deseja esta paz ao teu coração
realiza esta paz com o teu corpo.”

Evangelho dos Essênios

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

...



Olho-te nos olhos e você diz que adora meu olhar!
Olho nos teus olhos e te digo que eles não quero jamais deixar de admirar.
Você diz que te desafio sem palavras e que te faz gostar.
Digo-te que me inspira os cinco sentidos de uma única vez e me faz delirar.
A saudade bate no primeiro passo que me distancio.
Cada respiração ao seu lado traz o peso leve dos dias longos da espera.
Saudades, saudades que a ti pronuncio.
Lembranças auditivas, olfativas,visuais de toques e de gostos!
Se desafio quando olhe-te não sei bem ao certo.
Mas desafio maior e não ter você aqui agora por bem perto.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Somente o Coração está no PRESENTE!

Com base no PDC de Permacultura e no conhecimento docemente e fortemente transmitido por Skye Riquelme, (segundo o mesmo com base nos principios de Ken Wilder)
.....
O que difere os seres humanos dos animais é a capacidade de apreender, mas para apreender estamos de certa forma “voltando ao passado”, afinal todo conhecimento parte de experiências passadas. Isto é muito bom! Mas se torna ruim quando passa ser um empecilho e nos impede de ser criativo e gerar um novo conceito.
Todos os grandes descobrimentos não vêm do método científico. Todo método científico tem o poder de melhorar muitas coisas. Mas muito pouco de criar!
A aprendizagem não é um processo individual é um processo coletivo.
Quando nos conectamos com o novo á partir de uma nova forma de ser, muitas vezes temos a nossa percepção corrompida pela preocupação em responder e se posicionar, até que em um determinado momento passamos a nos preocupar prioritariamente com as idéias que nos é transmitida. Abrimo-nos então para o novo. Assim a nossa mente que reinava no passado pode á partir da empatia (gerada pelo amor) ir para o presente.
Nossa mente só existe no passado. Somente o coração existe no presente. Á partir dele (coração) podemos ter perceber novas informações, intuições, inspirações e levemente perceber o futuro.

domingo, 3 de julho de 2011

Lótus



Lótus..
Como sempre a mente evoluída de Elio Andreoti surpreende até mesmo os envolvidos no processo... Com fé nas junções dos fragmentos, as cenas criadas de forma fragmentada ao unidas causa “efeito participativo”(aquele que público sente) nos adeptos á aprendizagem do universo cênico: Grupo Solar. Mas uma vez me sinto assim: público e atriz em um único e inesquecível momento!
Chegada, Vento, Água, Terra, Sentidos, Éter, Alma, Mata, Natureza, Fogo, Partida...Espiral!

Fruta Cósmica com Agridoce em Marília 01-07-2011/ Caipira Bruto




Fruta Cósmica com Agridoce em Marília na 4 Noite fora do Eixo... Caipira Bruto!

Foi assim...indicados por Marina Correa, convidados por Gabriel Coiso partimos pra Marília City: Eu (Taty Beija Flor) Dirigindo, Li Barbosa de co-piloto e Rafael Maia no banco de trás (bem ao meio para ver a estrada)... No caminho os assuntos do dia-a-dia e a ansiedade evidente de Rafael: "Quanto tempo demora para passar 40 KM?". Bem próximo á Marilia, colocamos o CD da trilha sonora de nossa performance e fomos discutindo e até mesmo alterando algumas ações.
Ao chegarmos na cidade fomos recepcionados por Gabriel Coiso, Marina Correa e Janína e assim seguimos sentido ao Bar Cão Pererê... Fomos mega-bem recepcionados! Nossa que lugar diferente, uma decoração autêntica, tudo muito bonito e único!
Subimos no andar de cima (Não dá para subir no porão, mas tudo bem rs) e assistimos o ensaio das bandas! No intervalo aproveitamos para tirar fotos diferentes, naquele local diferente! Fomos ao posto de gasolina e lá tomamos um café, conversamos com uma caixa mega-simpática e compramos um jornal o qual falava da ida do grupo Fruta Cósmica a Marília e da história recente de sua composição (foi muito legal ver isso).
Perdidos no meio da boa receptividade do pessoal de Marília, da aparência autentica do bar e som original que a banda Caboutchan fazia, nos perdemos e já era a hora de apresentar e não estávamos prontos... Correria, Ajuda (de Marina e Janína) e ainda mudança de planos, o melhor local para fazer a cena passa ser o espaço de baixo próximo ao bar... Todos arrumados, Rafael com seu corpo todo pintado (Marina e Janína também com parte de seu corpo pintado rs) a primeira música da trilha foi posta e Rafael sobe as escadas do "camarim improvisado"(O Porão mágico do bar) em dez segundos o silêncio foi pairando e agora quem subia era Li Barbosa e por fim eu, Taty Beija Flor.
Sentia a presença do público por todos os lados, principalmente nas costas, já que o pessoal da rua também se aglomerou para ver a cena, impressionante a troca de energias e de sensações instantâneas, sem palavras, sem nenhuma palavra, "apenas com gestos"e ao final da cena, impulsionada pela trilha de Moby (que aliás recebeu um grito eufórico de um observador de fora do bar. MOOOOBYY CARAAA!) o olhar á todos os presentes.
Encerrada a cena ao sair do porão, tive fedback muito interessantes, diziam que a surpresa com o silêncio do público havia sido algo inédito, elogiavam até mesmo o figurino diante do frio que fazia e até mesmo o elogio de alguém que pontuava não gostar de teatro, todos que por nós passava fazia alguma colocaçào á respeito, a indiferença era excluída.
Teve um fato ainda o qual seria comico se não fosse trágico (rsrsrs), Rafael com seu corpo todo pintado necessitava de um banho e autorizado por Dú foi tomar o banho no próprio bar, no banheiro das meninas, acompanhado por gritos e batidas na porta, (pelas garotas que queriam utilizar o banheiro) até que cai a energia do bar e é informado de que teria que encerrar seu banho e assim molhado e P da vida nosso querido parceiro sai do bar e de forma extremamente amigável nosso idolo André saí de trás do balcão oferece sua casa e acompanha nosso amigo Rafael que volta para o bar calmo e sem tinta preta no corpo.
Assim partcipamos da entrevista para youtube feita por Dú e ainda ouvindo o som "alconcur" da banda Lisabi, fechando a noite de forma digna e coerente de um evento planejado e organizado por Caipira Bruto.

Marilia que Maravilha, Receprocidade e Boas Companias !
Queremos Voltar! É Só Chamar

domingo, 19 de junho de 2011

Clarice está em mim e um dia também sairá de mim!

Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu queria amar o que eu amaria - e não o que é. É também porque eu me ofendo a toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu tenha que chamar de “mundo” esse meu modo de ser um pouco de tudo. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário (…). Eu que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu.

(Clarice Lispector - do Livro: Felicidade Clandestina)

domingo, 12 de junho de 2011

O Futuro setornou--- de Octavio Paz

"O futuro se tornou a região do horror, e o presente se converteu num deserto. As sociedades liberais giram, giram, mas não avançam, só se repetem. Se mudam, mas não se transfiguram. O hedonismo do Ocidente é a outra face do seu desespero; O lugar vazio deixado pelo cristianismo nas almas modernas não foi ocupado pela filosofia, mas pelas superstições grosseiras. Nosso erotismo é uma técnica, não uma arte ou uma paixão."



Sobre o autor: Octavio Paz

Octávio Paz Lozano foi um poeta mexicano, nascido na Cidade do México, em 1914, e faleceu em 1998. Foi notabilizado por seu trabalho prático e teórico no campo da poesia moderna ou de vanguarda. Recebeu o Nobel de Literatura de 1990 , é considerado um dos maiores escritores do século XX e um dos grandes poetas hispânicos de todos os tempos

Fonte: http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/poemas?search=Octavio+Paz&by=author

Autoconhecimento, as doenças ou a saúde?


O autoconhecimento é um caminho que nos aproxima do existencialismo, quanto mais percebemos quem somos, mais nos sentimentos responsáveis por TUDO que vivenciamos e assim buscamos o nosso aperfeiçoamento.
É impressionante como na vida podemos ser o nosso melhor amigo, tal como o nosso maior inimigo, tudo depende de como lidamos com o que nos acontece, afinal o problema não é o problema, mas a forma com que reagimos a ele.
“Esquece todas as ofensas que te façam, ainda mais, esforça-te por pensar o melhor possível do teu maior inimigo. Tua alma é um templo que não deve ser profanado pelo ódio.” (Paracelsos)
Porque esperamos que a nossa “cura” que nossa “libertação”venha do outro?
O próprio Jesus Cristo, dizia: “Levanta-te e anda.” Era como se dissesse a cada um de nós que a força e a vontade está em nós mesmos e que ele era “apenas”a imagem refletida em si mesmo de que toda forma de superação é possível, desde que entendamos o nosso papel aqui e que escolhamos o que queremos.
Pensando nessa forma existencial de ver a vida, passamos a questionar as doenças e fatalidades e então percebemos que muitas doenças partem de nossa forma de viver e que na maioria das vezes também ignoramos as mesmas como reações as nossas atitudes, um exemplo disso é a solução dos orientais para prisão de ventre: “arrume o guarda roupa, jogue (ou destine á outros) tudo que não lhe serve e seu corpo reagirá da mesma maneira.”
Complexo? Claro!
Outro foco da questão das doenças e fatalidades é que todos ao nascermos, sabemos que morreremos e afinal se temos uma alma imortal, qual é a minha programação e a minha missão para essa vida? O que realmente é melhor para minha forma de SER?
Nesse sentido começamos a refletir as formas de tratamento e medicina que escolhemos para “curar-nos”, e já nascemos apresentados medicina tradicional, com suas fórmulas alopáticas que tem a ênfase de tratar de nossas doenças e não necessariamente promover a nossa saúde.
A medicina tradicional lida especificamente com o nosso corpo material, físico, e cabe aqui uma ressalva de que essa fragmentação Cartesiana e Newtoniana serviu lá atrás como uma estratégia para que pudessem numa época que tudo era desvendado e sanado unicamente pela religião, buscar outras vias através de estudos e que para isso separam a alma (que ficava ligada a religião) do corpo físico (que passará a ser estudado pela ciência).
E nos dias atuais como lidar com as doenças, Sai Baba, pontuou sobre 2012:


“A sociedade está mais iluminada. Isto é o que está acontecendo. E isto faz com que muitas pessoas que lêem estas afirmações as considerem loucura.
Percebeu que hoje em dia as mentiras e ilusões são percebidas cada vez mais rapidamente? Bom, também está mais rápido alcançar o entendimento de Deus e compreender a forma como a vida se organiza.
Esta nova vibração do planeta tem tornado as pessoas nervosas, depressivas e doentes. Isto porque, para poder receber mais luz, as pessoas precisam mudar física e mentalmente. Devem organizar seus quartos de despejo, porque sua consciência cada dia receberá mais luz. E por mais que desejem evitar, precisarão arregaçar as mangas e começar a limpeza, ou terão que viver no meio da sujeira.”

A conexão está feita, a amplitude dos problemas só podem ser interpretados se analisados holisticamente:
“Um sistema de medicina que ignore a existência do ser espiritual está incompleto porque os tecidos que constituem o nosso corpo físico, são sustentados não apenas por oxigênio, glicose e nutrientes químicos, mas também por energias vibracionais superiores que conferem a vida expressão criativa do corpo físico.” (Fisioterapeutas: Dra Ana Maria Barbosa Pagani e Dr. Lauro Pereira Pagani)
Como tratar, por exemplo, o órgão estômago através da matéria unicamente se este não digere apenas alimentos, mas emoções, sensações e sentimentos?
“Estes singulares sistemas de energia são afetados em seu equilíbrio pelas emoções pela mente e também por fatores ambientais e nutricionais. A conexão invisível entre o corpo físico e as forças sutis do espírito detém a chave da compreensão dos relacionamentos internos entre matéria e energia” (Fisioterapeutas: Dra Ana Maria Barbosa Pagani e Dr. Lauro Pereira Pagani)
Einstein na física quântica, Paracelsos nas homeopatias e Dra Edward Bach no estudo dos Florais, demonstraram a percepção e a ousadia de estudos que buscam a visão holística do SER humano.
Bach por exemplo, tinha uma carreira promissora como médico e quando passou a estudar os florais (acreditava na evolução de algumas flores, a possibilidade de auxílio das mesmas ao ser humano) foi chamado de charlatão e com risco de perder seu diploma de médico e ainda ser preso, ao questionar o que aconteceria se não fosse médico e estudasse os florais recebeu a resposta de que de que nada aconteceria, e assim fez, por sua pura vontade a entrega de seu diploma de medicina e estudou até o fim de seus dias na terra, os florais, inclusive desencarnando ao fim do mesmo (estudo).
Por quê?
Porque percebia e acreditava no caminho existencial de “cura-te a ti mesmo” da cura advinda do “caminho do coração”.
Ainda nos dias de hoje vemos pessoas loucas, lutando para aumento de hospitais e ninguém luta, faz campanha para a causa de “Conhece-te”, para o autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal e espiritual, buscando realmente o equilíbrio e a cura.
Na luta para emancipação da Índia Gandhi foi questionado de como a Índia poderia ser independente se não tinham nem hospitais e ele respondeu:
“Primeiramente isso é problema meu e hospitais não são sinônimos de saúde, mas de doenças.”
Coisas para pensar....

sábado, 11 de junho de 2011

As estações, elementos e a Formação de nossa personalidade

Água
Quando chega o Inverno do nosso começo e/ou fim, o medo não trabalhado vira obsessão. O medo trabalhado se transforma em sabedoria.

Madeira
Em nossa Primavera da infância, a raiva não trabalhada converte-se em ira. A raiva trabalhada se transforma em amor.

Fogo
Já no nosso verão de adolescência , alegria não trabalha corre risco de tornar-se depressão. A alegria trabalhada tranforma-se em benevolência.

Terra
Ainda no nosso verão de nossa maturidade e da canalização de nossa energia feminina, a preocupação não trabalhada vira obsessão. A preocupação trabalhada transforma-se em Fé!

Simples assim... Dificil assim...
Personalidades e suas formas para os Orientais!
Observações baseados no livro: O psiquismo da medicina Oriental/ Ilka D. Penna

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Minha revolução


Minha revolução é sublime no exterior, mas intensa no interior.
Minha revolução vem da arte!
Minha revolução se manifesta na arte!
A arte me revoluciona, me transforma, me emociona!
Tenho a oportunidade de viver apenas o que acredito.
Se desacredito o que vivo, tenho a sorte de ser ignorante.
Luto contra a incoerência e me distancio dos incoerentes.
A incoerência fere os órgãos da minha alma.
O que é ser incoerente?
Saber no acredita e fazer diferente!
Minha revolução é constante e de dentro para fora.
A inteireza é minha bandeira.
Estar inteira e no presente de cada fato é meu objetivo de vida.
Viver intensamente, tudo que a vida me destinar, buscando sempre me equilibrar.

terça-feira, 7 de junho de 2011

LOU ANDREAS -SALOMÉ: A PAIXÃO VIVA

Fonte: (http://www.cefetsp.br/edu/eso/filosofia/paixaolouandreassalome.html)

(Do Livro: Os Sentidos da Paixão. Ed. Cia de Letras, 1987, págs. 359-373)

Luzilá Gonçalves Ferreira



Lou Salomé: uma prática de paixão; alguém que viveu a paixão com paixão, e talvez por isso mesmo provocou, até uma idade avançada, o nascimento da paixão nos seres que encontrou em seu caminho: Rilke, Nietzsche, Paul Rée, Tausk e, ao que parece, até mesmo Wagner sucumbiram ao seu encanto e à alegria de viver que transpirava em cada um de seus gestos - e o próprio Freud não parece ter sido indiferente à graça da discípula que ele qualificou de "raio de sol'.

A paixão de Lou pela vida transparecia em seu próprio físico. Freud lhe escreveu um dia: "você tem um olhar como se fosse Natal". E a escritora Helena Klinkberg (citado por Peters): "O sol se levantava quando Lou entrava numa sala". Era um ser luminoso, transparente e lúcido, daquela lucidez talvez de que fala João Cabral de Melo Neto a respeito de Monsieur Teste: "uma lucidez que tudo via, como se à luz ou de dia". Um ser humano para quem a felicidade é condição natural e destino do homem: "dentro da felicidade eu estou em casa". E ainda: "A única perfeição é a alegria".

Essa paixão pela vida, ela a transmitia aos outros, fazendo com que as pessoas ao seu contato desenvolvessem e dessem o melhor delas próprias. O que fez alguém escrever: "Quando Lou se interessa apaixonadamente por um homem, nove meses depois este homem dá à luz um livro. Um interesse pelo outro que o leva a crescer e produzir - mesmo quando esse crescimento e essa produção implicam o sofrimento.

Pois Lou Andreas-Salomé conseguiu realizar, em seus 76 anos de vida, o que nós todos gostaríamos e deveríamos fazer sempre - e não o fazemos por descaso, indolência, medo: tornar a vida o exercício apaixonada de uma busca. Sua exploração em todos os possíveis. Isto que requer a fruição intensa e incessante de coisas e pessoas que nos cercam, de modo que o mundo exterior em nós penetre e a nós se incorpore. Pois a vida, como o dizia Rainer Maria Rilke a propósito de Rodin, "está nas pequenas coisas como nas grandes: no que é apenas visível e no que é imenso".

Antes mesmo do seu encontro com Rilke, Louise von Salomé já intuía essa verdade: desde muito cedo encontramos nela um grande apetite de aprender e de amar - e o objeto de sua atenção podia ser a psicanálise, a curtição de uma paisagem, de uma flor, de um esquilo na floresta ou de um corpo amado.

(.....) Lou escreveu vários ensaios sobre o Erotismo. O primeiro deles data de sua ligação com Rilke. Intitulado reflexões sobre o problema do amor, traz as evidentes marcas da embriaguez física e espiritual que sua autora estava vivendo. Aqui ela assinala, em páginas de um admirável lirismo, a capacidade que tem a paixão amorosa de nos abrir o caminho ao sentimento da totalidade da vida e sua faculdade de nos colocar em estado criativo. O ato amoroso "nos enche a alma inteira (...) de ilusões e de idealizações espirituais, forçando-nos o mesmo tempo a nos chocar brutalmente, sem possibilidade de se esquivar, ao dispensador de uma tal desordem; ao corpo". E Lou escreve:

"Pois, sobretudo, resulta no indivíduo uma espécie de interação ébria e exuberante das mais altas energias criadoras do seu corpo e a exaltação mais alta da alma. Enquanto nossa consciência se interessa vagamente, habitualmente, por nossa vida psíquica, como por um mundo que conhecemos mal e que controlamos ainda pior, que ao que parece forma um com ela, mas com o qual normalmente ela se entende mal - eis que se produz subitamente entre eles uma tal comunhão de enervação que todos os seus desejos, todas as suas aspirações se inflamam ao mesmo tempo."

Por essa exaltação da alma através dos sentidos, por essa impressão que o ato amoroso nos dá de haver ido muito longe, e tocado o indizível, é que ele pode influenciar e favorecer a criação, a "pátria do dizível", como escreveu Rilke. E Lou: "O Mundo da criação e do amor significa: volta ao país natal, entrada no paraíso; o a impossibilidade de criar, ou do amor morto, é, ao contrário, um exílio onde os deuses nos abandonam".

A atividade criadora se apaixona por tudo aquilo que é vida em nós, que é indício do que em nós lateja de mais secreto, e que atinge as raízes do ser. O espírito descobre forças que não possuía ou das quais não se apercebia. Pode voltar àquele estado de inocência primeira que possuiu na infância, redescobre a "novidade" das coisas, com o frescor de uma sensação primitiva: o olhar da criança sobre o mundo que descobre maravilhada; o olhar de Adão diante de Eva recém-saída de si.

Confrontado com os seus longes, o amado vê a si mesmo, e ao mundo exterior, como algo recém-criado. Por isso, às vezes a gente sai do amor como quem saiu de uma catedral, redescobrindo o mundo aqui fora com os olhos renovados. O ato amoroso, vivido em plenitude, obriga os amantes a concentrar em si mesmos tudo aquilo de que são capazes, passível de germinar com a força das plantas na primavera.

"Nesta igualdade original do corpo e do espírito e nesta consciência ingênua de um e de outro - uma criança que acredita em tudo que vê, para quem tudo se renovou, que, cheio de uma fé e de uma confiança sem limites, gostaria de gritar sua alegria ao esplendor inverossímil do mundo, e não saberia saudar de melhor modo a razão senão fazendo cabriolas diante dela... como se balbuciasse em sonho, ele tem algo a dizer sobre estes esplendores ocultos que lhe fizera, ai de nós, esquecer tantas coisas úteis e necessárias."

O ato amoroso transforma o parceiro num "conto estranho e maravilhoso". A Paixão amorosa é uma porta, diferente de todas as outras portas, "em sua arquitetura ornada de elementos ricos de sentido, em virtude de um simbolismo singular". É o caminho por excelência que nos leva a nós mesmos. Por ela "nós não somos um mundo de realidade, somos apenas o espaço e o metteur en scène de um mundo onírico, todo-poderoso, irresistível".

Assim, o amor durará enquanto os amantes forem capazes de oferecer ao outro essa entrega, que dá acesso de modo vital à capacidade de se concentrar neles mesmos, de ser um mundo para si por causa do outro.

A esta altura, a gente poderia se perguntar - não seria esta uma visão demasiado idealizada do amor? Mas Lou não se deixa embalar incondicionalmente pelo êxtase da paixão: esta grande amorosa foi também, segundo a expressão de Freud, uma "compreendedora".

Neste mesmo ensaio, ela nos lembra que no êxtase amoroso, por mais que desejemos nossa fusão com o amado, sempre somos, em última análise, remetidos a nós mesmos. A reconciliação que se fará aqui será sobretudo entre o sujeito e ele próprio, através do outro, mais do que entre o sujeito e o objeto amado.

Num ensaio sobre o erotismo, datado de 1910, e num ensaio posterior, quando Lou já se engajara definitivamente à psicanálise, intitulado Anal e Sexual, ela nos lembra que na união física "a gente não possui um ao outro por meio do corpo, mas apesar do corpo, que, como todo mundo sabe, não se identifica jamais (...) completamente com o todo da pessoa, mas aparece sempre como uma parte dela e resiste à dominação mais viva".

(....) A fusão inteira do nosso ser com o outro, por mais querido que seja, não seria desejável. É preciso que sejamos cada vez mais nós mesmos, para poder ser um mundo para o outro. A relação erótica, remetendo-nos a nós próprios, é uma ocasião de constante renovação: cada vez ela inaugura em nós um ser novo; como um ato de linguagem, cada vez que eu falo a um Tu, é um Eu diferente que fala a um novo Tu: quando digo Eu, já não sou aquela que falava há pouco. A relação erótica é, assim, nela mesma, criação. E o amor um elemento de produção: somos a cada instante outros, encontramos no outro cada vez um elemento novo, diferente, desconhecido, misterioso até - o que dá à relação erótica sua riqueza:

"só aquele que permanece inteiramente ele próprio pode, com o tempo, permanecer objeto do amor, porque só ele é capaz de simbolizar para o outro a vida, ser sentido como tal. Assim, nada há de mais inepto em amor do que se adaptar um ao outro, de se polir um contra o outro, e todo esse sistema interminável de concessões mútuas... e, quanto mais os seres chegam ao extremo do refinamento, tanto mais é funesto de se enxertar um sobre o outro, em nome do amor, de se transformar um em parasita do outro, quando cada um deles deve se enraizar robustamente em um solo particular, a fim de se tornar todo um mundo para o outro."

É preciso que a gente seja sempre, um para o outro, duas deliciosas surpresas fecundas. Aquele mundo da fábula de La Fontaine "Os dois pombos", que aconselha aos amantes: "Amantes, felizes amantes, vocês querem viajar? Que seja pelas margens próximas/Sejam um para o outro um mundo sempre belo, sempre diverso, sempre novo./ Sejam um todo um para o outro, contem por nada o resto".

E Lou analisa esta necessidade de renovação e da existência do mistério na relação amorosa:

"Pois, nos seio mesmo da paixão, nunca se deve tratar de "conhecer perfeitamente o outro": por mais que progridam neste conhecimento, a paixão restabelece constantemente entre os dois este contato fecundo que não pode se comparar a nenhuma relação de simpatia e os coloca de novo em sua relação original: a violência do espanto que cada um deles produz sobre o outro e que põe limites a toda tentativa de apreender objetivamente este parceiro. É terrível de dizer, mas , no fundo, o amante não está querendo saber "quem é" em realidade seu parceiro. Estouvado em seu egoísmo, ele se contenta de saber que o outro lhe faz um bem incompreensível... os amantes permanecem um para o outro, em última análise, um mistério."

Assim, o amor não seria um encontro, mas uma busca. Não quer dizer que chegamos, mas que estamos próximos.

Rilke perguntava-se na Primeira elegia de Duíno: "Não é tempo daqueles que amam libertar-se do objeto amado e superá-los, frementes? Assim a flecha ultrapassa a corda, para ser no vôo mais do que ela mesma". E nas cartas a um jovem poeta, em maio de 1904:

"Assim, para quem ama, o amor, por muito tempo e pela vida afora, é solidão, isolamento, cada vez mais intenso e profundo. O amor, antes de tudo, não é o que se chama entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa. (...) O amor é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo por si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser: é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha e um chamado para longe."

Se o amor é uma busca, se o estudo é uma busca, a arte uma busca, a vida inteira é também busca. E o amor e a paixão são a mola dessa busca.

É preciso buscar com amor, com paixão. Amar a vida, amá-la mesmo e sobretudo quando ela chega ao fim, e o espírito e o corpo vêem limitados seu campo de ação. Nos Cadernos íntimos dos últimos anos, Lou Andreas-Salomé dá um balanço de sua vida. Em fevereiro de 1934, isto é, três anos antes de morrer, ela escreve:

"Distingue-se entre os humanos aqueles que se sentem divididos em um passado e um futuro e aqueles que vivem o presente com cada vez mais densidade, sempre mais plenitude. Os orientais acham natural insistir menos sobre a morte do que se passa do que sobre a perfeição do que se acaba, como aprofundamento da realidade. Nós, ao contrário, começamos a ver aquilo que nos chega, apenas sob o aspecto sempre mais sinistro da morte - como tudo o que se observa de um olhar exterior, logo mortífero."

E um pouco mais adiante:

"Sempre não tive a idéia fixa de que a velhice me traria muito? Em meus jovens anos escrevi em algum lugar: primeiro nós vivemos nossa juventude, em seguida nossa juventude vive em nós. Não sei bem, ainda hoje, o que eu queria dizer com isso outrora. Mas eu tinha realmente medo de não atingir a idade de viver esta experiência; eu o sabia profundamente, uma longa vida, com todas as suas dores, vale ser vivida,. Claro, o valor da vida pode nos ficar escondido pelos desgastes sofridos pela nossa carne, nosso espírito (...) do mesmo modo que a juventude mais empreendedora pode se ver entravada em sua felicidade e em seu sucesso, por um fatal concurso de circunstâncias; mas, por além das perdas, a velhice adquire muito mais que a famosa aptidão à serenidade e à lucidez: ela permite que se chegue a uma plenitude mais acabada."

A velhice pode ser, assim, uma volta àquela espécie de paz inicial e retorno do indivíduo a um estado de não-divisão, de fusão primitiva do eu para consigo mesmo, o corpo parece se acalmar relativizando-se; ...

Num ensaio de 1901, escrito aos 40 anos e intitulado A velhice e a eternidade, Lou afirmava: "O velho está liberto de todos os seus limites pessoais e escrúpulos mesquinhos. Retirado lentamente da vizinhança imediata dos outros seres vivos, ele se vê, progressivamente, reintroduzido no grande encadeamento universal".

É preciso amar a vida em todas as suas fases e amar até mesmo a morte. Aqui Eros e Thanatos se dão as mãos - são forças complementares e não contrárias. A morte é a redenção da vida individual, escreve Lou num artigo sobre o misticismo russo. Nossa morte não nos separa dos seres que amamos; ela nos entrega de modo mais completo a eles:

No dia em que eu estiver no meu leito de morte

Faísca que se apagou -,

Acaricia ainda uma vez meus cabelos

Com tua mão bem-amada

Antes que devolvam à terra

O que deve voltar à terra,

Pousa sobre minha boca que amaste

Ainda um beijo.

Mas não esqueças: no esquife estrangeiro

Eu só repouso em aparência

Porque em ti minha vida se refugiou

E agora sou toda tua [Hino à morte]

A morte desfaz, assim, a distância entre os amantes, que agora vivem um no outro, sem que o individualismo os separe. A morte não é uma partida, umas uma volta: um retorno do indivíduo àquela união primitiva com as cosias. Por isso não a devemos temer.

A grande biografia de Lou Salomé ainda não foi escrita. Mas, pelo que dela nos resta, fica uma lição final de amor pela vida, de paixão pela vida, de totalização da vida. Por isso Lou desejou ser cremada e que suas cinzas fossem jogadas no jardim de sua casa, em Gottingen: para que seu corpo pudesse se incorporar à terra e ser transformado em planta e flor.